Caros colegas,
Como há muito não se via, fechamos a quarta semana seguida de alta no Ibovespa. E para quem esperava resultados tímidos, o índice brasileiro “esticou” ainda mais, acumulando valorização de 5,93% na semana e renovando o maior patamar desde 3 de outubro do ano passado. As razões? Fora as definições do G-20, dessa vez podemos confessar que poucos foram os fatores relevantes para alta tão expressiva.
A começar por segunda-feira, tudo levava a crer que teríamos uma semana de forte correção. E os impulsos para tanto não faltaram. Após a negativa do governo americano em injetar capital na Chrysler e GM, as maiores preocupações relacionaram-se ao futuro das montadoras americanas. Ambas as empresas haviam apresentado no mês de fevereiro um plano de reestruturação que, caso aceito pela equipe de Obama, resultaria em grande aplicação de recursos públicos. No entanto, as medidas propostas pelas companhias foram consideradas tímidas pelo governo norte-americano, que determinou algumas exigências às montadoras. Além de terem que apresentar novo plano para redução de custos ao governo norte-americano, a GM viu-se forçada a trocar sua presidência e a Chrysler a fechar um acordo com a Fiat para o desenvolvimento de tecnologias limpas para carros de pequeno porte.
O dia ainda foi marcado pelas declarações do secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, segundo o qual os aportes de capital nas instituições financeiras americanas podem não ter sido suficientes, abrindo, assim, a possibilidade de haver a necessidade de mais injeções de recursos.
Ainda no exterior, agora do outro lado do globo, foi divulgada a produção industrial japonesa, que apresentou novo forte recuo frente ao mês anterior, agora de 9,4%. Vale lembrar que, além de representar a quinta queda consecutiva, o mês de janeiro já havia apresentado uma retração de 10,2% frente a dezembro. Não obstante os péssimos indicadores, o Ministério do Comércio do Japão prevê um bimestre de recuperação, com altas de 2,9% e 3,1% em março e abril, respectivamente.
Em oposição às más notícias no front internacional, por aqui o governo anunciou a prorrogação na redução do IPI para carros até junho e mais uma série de medidas de estímulo à economia. De modo geral, foram definidos benefícios tributários para os setores de automóveis e construção civil, além de um aumento no IPI e PIS/COFINS incidentes sobre a produção e comércio de cigarros. Complementando, ainda foram estabelecidas garantias para bancos de pequeno e médio portes. Mais detalhes podem ser vistos no infográfico do link http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL1064619-9356,00-ENTENDA+AS+MEDIDAS+DO+PACOTE+ECONOMICO+ANUNCIADO+PELO+GOVERNO.html.
Para fechar as notícias do dia, ainda houve a divulgação do Relatório Focus, cujos destaques foram as projeções de crescimento zero no PIB nacional e retração de 2,74% na produção industrial. Quanto ao IGP-M, o resultado divulgado indicou uma deflação de 0,74% em março, queda mais acentuada desde junho de 2003 e também mais intensa que as previsões de -0,31% do Relatório Focus.
Apesar das péssimas novidades do início da semana, a terça-feira restabeleceu os níveis de confiança vistos durante maior parte do mês de março. E para tanto, foram necessários apenas alguns fatores bastante pontuais. Redução na diferença entre o retorno da Taxa Libor e dos Títulos do Tesouro dos EUA, empréstimo de US$ 800 milhões à AIG e boatos de aquisição da Alcoa pela BHP Billton foram os principais destaques do dia.
No tocante aos indicadores da agenda, apenas o Consumer Confidence (confiança do consumidor norte-americano) apresentou evolução frente ao mês anterior. No entanto, o índice em 26 pontos ainda ficou abaixo das previsões próximas ao patamar dos 28. Ademais, o Chicago PMI, que mede a atividade industrial da região de Chicago, apresentou queda de 2,8 pontos (31,4 pontos em março versus 34,2 em fevereiro). Por fim, os preços dos imóveis nos EUA apresentaram nova queda em janeiro, agora de 2,8% frente a dezembro e de 18,97% frente ao mesmo mês de 2008.
O mercado nacional também contou com a divulgação de indicadores domésticos. De positivo, tivemos a elevação de 2,2% na confiança da indústria em março frente a fevereiro. Embora seja a terceira alta consecutiva do indicador, o mesmo ainda se encontra 32,4% abaixo dos patamares de doze meses atrás.
No tocante às contas do governo (Nota de Política Fiscal), o superávit primário do governo em fevereiro - arrecadação menos despesas, desconsiderados os pagamentos de juros da dívida pública - totalizou R$ 4,107 bilhões, 54% abaixo do resultado de doze meses atrás e também abaixo do saldo de janeiro deste ano. Mesmo apesar da queda, o resultado foi superior às projeções, que apontavam superávit de apenas R$ 2,7 bilhões. Os fatores atrelados à forte redução do superávit foram a redução da arrecadação pela crise e também pelos incentivos tributários concedidos pelo governo aos diversos setores da economia.
O dia seguinte, quarta-feira, também foi bastante agitado, com inúmeros indicadores e declarações positivos vindos, sobretudo, dos EUA. Começando por Tim Geithner, o secretário do Tesouro “corrigiu” as declarações de segunda-feira, afirmou que os mercados financeiros vêm apresentando sinais de recuperação e ratificou a confiança nas ações públicas planejadas/realizadas até então.
E para complementar o momento de otimismo, destaque para alguns índices da agenda do dia. O número de casas vendidas sem transação efetivada subiu 2,1% em fevereiro, superando as projeções de variação nula no mês. Também superou as expectativas do mercado o ISM Índex, índice de produção industrial norte-americana, que alcançou os 36,3 pontos em março, acima dos 35,8 pontos do mês anterior e dos 35 previstos pelos especialistas.
Do lado negativo, o ADP Employment indicou continuidade na redução do emprego nos EUA. Apenas em março, foram fechadas 742 mil vagas de trabalho, superior às 706 mil encerradas em fevereiro e das previsões que giravam em torno dos 643 mil. Além disso, as vendas de veículos no país novamente desabaram. Das grandes montadoras, a que apresentou o menor decréscimo foi a Honda, com uma redução de “apenas” 36% no mês de março. Quanto às demais, releva-se a queda de 42,5% nas vendas da GM e de 41% nas da Ford.
Pelo Brasil, o indicador de maior importância foi a produção industrial, que, após elevação de 2,3% em janeiro, subiu mais 1,8% no mês de fevereiro. O destaque ficou para a produção de veículos, que cresceu 8,7% na passagem mensal. Mesmo assim, apesar da pequena recuperação, os valores ainda estão bastante distantes dos patamares mensurados há doze meses, sendo que, em comparação com fevereiro de 2008, a queda na produção industrial foi de 17%.
Apesar dos sinais de desaceleração e indicadores não muito promissores, as altas no ISM Index e no Pending Home Sales, bem como as declarações de Geithner sustentaram as altas das bolsas, tendo o Ibovespa fechado o dia a 2,57% e o Dow Jones a 2,01%.
A quinta-feira foi marcada pelas definições de medidas a serem adotadas pelo G-20. De modo geral, foram definidos programas econômicos que, somados, chegam a mais de US$ 1 trilhão. Não bastassem as elevadas cifras, o que animou o mercado foi algo discutido e considerado fundamental para uma recuperação global já há algum tempo: a adoção de medidas integradas pelas principais potências econômicas. Para ratificar esse ponto, nas palavras de Obama sobre os planos estabelecidos, “Se os Estados Unidos tivessem agido sozinhos, não teriam atingido nem metade da eficácia”.
E nesse contexto, quem volta a ganhar força é o antes esquecido FMI. O Fundo Monetário Internacional será um dos players fundamentais dentre as medidas previstas na reunião do G-20. Afinal, receberá recursos na ordem de US$ 750 bilhões e uma diretoria de estabilidade financeira que, em outras palavras, será responsável pelo monitoramento do sistema financeiro internacional e correta aplicação dos recursos.
Outra definição do dia esteve relacionada à taxa básica de juros da região do Euro. Abaixo das previsões de quedas mais fortes, o Banco Central Europeu reduziu sua taxa de juros em apenas 0,25%, para 1,25% a.a.
Quanto aos indicadores, novamente destaque para os divulgados nos EUA. No lado da indústria, houve um aumento nas encomendas (Factory Orders) de 1,8% em fevereiro, o que interrompeu uma sequência de seis meses de recuos consecutivos. Pelo mercado de trabalho, mais dados negativos, com 669 mil novos pedidos de auxílio desemprego na semana que se passou. O total de americanos recebendo a contribuição do governo chegou a 5,728 milhões, maior nível desde 1967.
Para encerrar a semana, mais dados negativos vindos do mercado de trabalho. Na sexta-feira, foi divulgado o Relatório de Emprego dos EUA, segundo o qual houve uma perda de 663 mil postos de emprego no mês de março. Em consonância, a taxa de desemprego chegou aos 8,5%, maior nível em 25 anos.
Do lado dos serviços, o ISM Services registrou 40,8 pontos, abaixo das previsões em 42 pontos e da medição de fevereiro, que ficara em 41,6.
Apesar dos fracos indicadores, o Ibovespa fechou o dia com valorização de 1,50%, assim como o Dow Jones registrou alta de 0,50%. Os ganhos do dia podem ser justificados pelo discurso de Ben Bernanke, que afirmou que o BC americano vem adotando medidas altamente flexíveis para recuperação da crise, não se restringindo apenas aos cortes das taxas de juros. Sua declaração foi baseada, principalmente, no aumento superior a US$ 1 trilhão no balanço do Federal Reserve, resultado da aquisição de títulos lastreados em hipotecas e Treasuries de longo prazo (títulos do governo norte-americano) para injeção de capital na economia americana.
A semana que se inicia, menor em virtude do feriado da Páscoa, apresentará poucos dados relevantes. Cabe destacar, no cenário doméstico, alguns índices inflacionários, como o IPCA e INPC. Nos exterior, atenção ao Consumer Credit dos EUA, à ata da última reunião do FED e à definição das taxas básicas de juros do Japão e Inglaterra.
Abaixo, com informações do portal InfoMoney, apresentamos a agenda da semana:
SEGUNDA-FEIRA - 06/04
08:30: Relatório Focus: relatório divulgado pelo Banco Central que compila as perspectivas de consultorias e instituições financeiras quanto a inúmeros indicadores da economia nacional.
09:30: Pesquisa Industrial Regional (Fevereiro/09): evolução do produto na indústria nacional com base em regiões e estados do país.
11:00: Balança Comercial (semanal): diferença entre o volume de exportações e importações no Brasil.
Pesquisa Nacional da Cesta Básica (Março/09): pesquisa mensal realizada pelo Dieese que busca mensurar o custo de uma cesta básica para as famílias de 16 capitais nacionais.
Primeiro dia de reunião do Banco do Japão - BoJ: primeiro dia de reunião do BoJ, o qual é dedicado à análise do cenário econômico.
TERÇA-FEIRA - 07/04
Segundo dia de reunião do Banco do Japão - BoJ: segundo dia de reunião do BoJ, o qual tem como resultado a divulgação da taxa básica de juros do mercado financeiro japonês.
08:00: Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna - IGP-DI (Março/09): média ponderada do Índice de Preços ao Atacado (IPA, que representa 60%), Índice de Preços ao Consumidor (IPC, que representa 30%) e Índice Nacional da Construção Civil (INCC, representa os 10% restantes). Importante indicador de inflação nacional pelo fato de apresentar o comportamento dos preços tanto para o consumidor final quanto para os “setores meio” da economia.
10:00: Levantamento da Produção Agrícola (Março/09): informações sobre acompanhamento e previsão de safras no Brasil.
11:00: Índice de Custo de Vida (Março/09): indicador do custo de vida dos moradores do município de São Paulo.
15:00: Consumer Credit (Fevereiro/09): mensuração do total de crédito ao consumidor nos EUA.
QUARTA-FEIRA - 08/04
08:00: Índice de Preços ao Consumidor Semanal - IPC-S (semanal): mede a variação de preços de uma cesta de itens para famílias com renda mensal de 1 (R$ 415,00) a 33 salários mínimos (R$ 13.695,00) em sete grandes capitais nacionais (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Brasília). Considera o período de trinta dias encerrado na semana anterior à sua divulgação.
08:00: Índice Geral de Preços Mercado - IGP-M (1° decêndio de abril/09): média ponderada do IPA, IPC e INCC, é importante indicador de inflação do mercado, o que é potencializado pela sua indexação nos reajustes dos contratos de aluguéis e correção das tarifas de energia elétrica.
09:00: Índice de Preços ao Consumidor Amplo - IPCA e Índice Nacional de Preços ao Consumidor - INPC (Março/09): o IPCA é considerado o índice oficial de inflação, uma vez que seu comportamento reflete diretamente nas decisões de política monetária nacional. Mede a inflação para famílias com rendimentos mensais de 1 (R$ 415,00) a 40 salários-mínimos (R$ 16.600,00). Já o INPC mensura as alterações nos preços para famílias com rendas mensais de 1 (R$ 415,00) a 6 (R$ 2.490,00) salários-mínimos.
09:30: Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Março/09): levantamento dos preços e custos de materiais utilizados no setor de construção civil.
11:00: Wholesale Inventories (Fevereiro/09): informações sobre as vendas e estoques do setor atacadista norte-americano.
12:00: Estoques de Petróleo Norte-Americano (semanal): reflete o consumo de petróleo em território norte-americano.
15:00: Ata da Reunião do Fed: divulgação da ata da última reunião do Fed.
QUINTA-FEIRA - 09/04
07:00: Índice de Preços ao Consumidor - IPC (1° quadrissemana Abril/09): índice que indica a inflação para o consumidor de São Paulo que possui renda de 1 (R$ 415,00) a 20 salários mínimos (R$ 8.300,00).
09:00: Pesquisa Industrial de Emprego e Salário (Fevereiro/09): conjunto de indicadores relativos ao mercado de trabalho no setor industrial.
09:30: Initial Claims (semanal): número de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA. Importante indicador que transparece a evolução do crescimento da economia norte-americana sob a óptica de alocação da mão-de-obra.
09:30: Export Prices e Import Prices (Março/09): respectivamente, preços de exportação e importação praticados pelos EUA. Esses índices excluem de suas composições itens mais voláteis, como petróleo e gêneros agrícolas.
09:30: Trade Balance (Fevereiro/09): resultado da balança comercial norte-americana.
Inglaterra: Taxa de Juro Básico: reunião de política monetária do Banco da Inglaterra com possíveis alterações nas taxas de juros do país.
SEXTA-FEIRA - 10/04
15:00: Treasury Budget (Março/09): dados do orçamento governamental norte-americano relativos ao mês de referência.
Felipe Seitz Bento
Fontes: InfoMoney, Portal de Notícias G1, Terra.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
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