Dia 12 de setembro o Boletim Focus veio dizendo que o mercado estava prevendo 3,6% de crescimento do PIB e hoje esta previsão ficou em zero. Na semana passada era 0,59% e há um mês era 1,5%.
Por que essa queda tão forte e o que houve da semana passada para esta?
Na verdade, o mercado tem vista curta. Ele só consegue achar que o futuro é uma repetição do presente e só consegue acertar em previsões de curto prazo.
O Focus é uma consulta a 100 instituições do mercado financeiro – departamentos econômicos de bancos e consultorias – e o número que sai é uma média. Na verdade, mediana: o ponto em que metade está abaixo e metade está acima daquele número.
A primeira coisa a notar é quando uma previsão começa a piorar ou melhorar vai em doses homeopáticas: cada semana mais um pouquinho naquela direção. É que nem todas as instituições fazem sua revisão das previsões na mesma época, e a cada semana entram algumas que já atualizaram. Na semana seguinte, outras entraram, e aí um número cai por semanas a fio. Ou sobe.
Outra coisa é essa tendência de projetar o futuro como mais do mesmo, e nunca como ruptura. Eles não fazem cenários no sentido técnico. Por isso suas previsões de longo prazo não são tão importantes. Em 12 de setembro, o Lehman Brothers não tinha quebrado. Ele quebrou no domingo, 14 e isso significou uma ruptura, e a chegada da crise ao Brasil através do travamento de todo o crédito.
Por isso eles achavam naquela sexta-feira dia 12– e não apenas o presidente Lula – que aqui a crise chegaria uma marolinha, reduzindo o crescimento para 3,6%.
Eles têm alguma capacidade de análise para indicadores muito próximos de serem divulgados, porque usam os dados já divulgados ( os antecedentes) e aplicam na metodologia do órgão que faz a apuração do índice. Por exemplo, a queda da produção industrial é antecedente para o PIB. No caso da inflação, alguns têm até um sistema próprio de coleta de dados.
Mas para projeções de longo prazo, eles usam modelos que têm esse defeito: não comportam rupturas. Algumas instituições em alguns momentos fazem projeções isoladas que são muito boas, mas essa média das previsões não tem muito valor. Serve um pouco para saber a direção do vento, mas não deve ser levada tão a sério.
O problema é que o Banco Central leva a previsão a sério, tanto que sempre fala delas para justificar altas e quedas das taxas de juros. Bom, diante desse crescimento zero e inflação abaixo da meta o que se pode dizer é que, conhecendo-se o Banco Central, ele deve reduzir sim a taxa de juros na reunião de abril. Quanto mais não seja, porque o Focus está apontando isso.
Fonte: Miriam Leitão
segunda-feira, 23 de março de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário