segunda-feira, 23 de março de 2009

Agenda da Semana: E bumba meu boi!

Caros colegas,

Novamente tivemos dias bastante positivos nos mercados financeiros. No entanto, diferente da semana anterior, os ganhos não se concentraram em um único pregão, sendo divididos por todos os dias da semana. Razões? Novas declarações otimistas vindas do setor bancário norte-americano, mais medidas para “limpeza” do setor financeiro dos EUA e o bom desempenho das commodities - no caso específico do Brasil, metais e petróleo.

Apesar do acumulado semanal, a segunda-feira apresentou leve correção das valorizações já ocorridas. Os fatores motivadores para tanto - quando a bolsa quer cair, qualquer estilhaço vira uma explosão - foram o aumento da taxa de inadimplência da American Express, a queda de 1,4% na produção industrial norte americana em fevereiro - quarta seguida - bem como a redução na utilização da capacidade operacional das indústrias do país de 71,9% para 70,9%.

Mesmo em queda, o dia trouxe algumas boas novidades. O governo dos EUA anunciou nova medida para recuperação da economia. Dessa vez o foco foi direcionado para as pequenas e médias empresas, consideradas fundamentais para o dinamismo econômico norte-americano. O valor anunciado do pacote foi de US$ 15 bilhões, os quais seriam injetados na economia mediante compra de títulos atrelados a empréstimos para empresas dos setores apoiados.

Outro bom indício de recuperação da crise veio do banco britânico Barclays que, a exemplo de outras instituições financeiras, afirmou apresentar boa rentabilidade neste início de ano.

No Brasil, o foco esteve no relatório Focus (trocadilho brilhante!). O levantamento realizado pelo Banco Central previu um crescimento de apenas 0,59% do PIB - abaixo dos 1,20% indicados na semana anterior - bem como recuo ainda mais representativo na produção industrial nacional (-1,59%). No tocante à taxa Selic, as previsões já indicam que a mesma encerrará o ano na casa de um dígito, a 9,75% a.a.

No cenário corporativo, algumas movimentações no mercado estiveram relacionadas aos rumores de fusão entre as catarinenses Sadia e Perdigão. Embora recheada de possibilidades e declarações de ambos os lados, a semana não apresentou nenhuma definição em relação às negociações.

No dia seguinte, terça-feira, dentre os destaques novamente tivemos declarações otimistas de bancos internacionais. Agora, HSBC e Standard Chartered afirmaram que o pior já passou, o que foi suficiente para dar grande fôlego às ações do setor financeiro. Também contribuiu para a alta das bolsas americanas - Dow Jones fechou a +2,48% - a recomendação de compra dos papéis da Cisco Systems pela equipe do Goldman Sachs.

Dentro da agenda de indicadores do dia, destaque para o aumento no número de novas casas construídas nos EUA. O Housing Starts indicou crescimento de 22,2% em fevereiro, primeira alta do índice desde abril de 2008.

No campo monetário, também nos EUA, o PPI, índice de preços ao atacado, subiu 0,1% em fevereiro, abaixo das previsões em torno de +0,4%. O elemento mais representativo esteve relacionado aos itens de alimentação, que apresentaram deflação de 1,6% frente a janeiro.

A quarta-feira apresentou ainda mais razões para que os investidores aumentassem seu otimismo. Isso porque o Fed (Banco Central norte-americano) anunciou novo plano para limpeza do sistema financeiro dos EUA. Quanto aos valores, serão destinados US$ 750 bilhões para compra de títulos lastreados em hipotecas (os tais ativos tóxicos deverão ser eliminados, ao menos parcialmente) mais US$ 300 bilhões para compra de títulos americanos de longo prazo. No total, o pacote supera a cifra de US$ 1 trilhão.

Em segundo plano, no campo da política monetária, o Fed manteve a Fed Funds Rate (taxa básica de juros norte-americana) no patamar entre 0,00% e 0,25%, o que também agradou o mercado.

Ainda nos EUA, o relatório de petróleo novamente apresentou alta acima das expectativas. Dessa vez, os estoques, que aumentariam em 1,5 milhões segundos os especialistas, foram elevados em 2,0 milhões de unidades. Soma-se a isso a redução no uso da capacidade operacional das refinarias, em queda de 82,7% para 82,1% na passagem semanal.

No tocante ao CPI, índice de preços ao consumidor, nenhum susto. O indicador apresentou alta de 0,4% no mês de fevereiro, em linha com as previsões.

Também no cenário internacional, dessa vez no Japão, mais planos econômicos. O Comitê de Política Monetária do Banco do Japão decidiu expandir para 1,8 trilhão de ienes mensais o valor destinado à aquisição de títulos do Tesouro do país. A decisão teve como objetivo melhorar as condições de financiamento no país. Além disso, a taxa básica de juros japonesa também foi mantida no patamar dos 0,10% a.a.

Nos dois dias seguintes, quinta e sexta-feira, além de uma agenda de indicadores bastante fraca, pouquíssimas foram as novidades. Por aqui, o governo iniciou sua inserção em um cenário, digamos, mais realista, reduzindo as projeções de crescimento do PIB em 2009 de 3,5% para 2,0%. Além disso, a ata do Copom apresentou mais do mesmo, o que não deixou de ser positivo para aqueles que desejam novas reduções na Selic. Assim, previsão de inflação em baixa e preocupação com a economia internacional foram os principais destaques.

Nos EUA, menção especial ao Leading Indicators - compilação dos principais indicadores já divulgados da economia - que apresentou recuo de apenas 0,4%, resultado melhor que os -0,6% esperados.

Diante dos acontecimentos do início da semana e da falta de maiores parâmetros nos últimos dias, as bolsas apresentaram bom desempenho no acumulado dos cinco pregões. Nos EUA, valorização tímida de 0,74% do Dow Jones. No Brasil, expansão um pouco mais representativa, de 2,72%.

Para a semana que se inicia - última do mês -, a agenda de indicadores será bastante fraca. À exceção do PIB norte-americano em 2008 - este, bastante relevante - e à Pesquisa Mensal de Emprego nacional, as atenções voltam-se ao pacote econômico para recuperação do sistema financeiro norte-americano e, evidentemente, a novidades do noticiário corporativo.

Abaixo, com informações do site InfoMoney, apresentamos a agenda da semana:

SEGUNDA-FEIRA - 23/03

08:00: Índice de Preços ao Consumidor Semanal - IPC-S (semanal): mede a variação de preços de uma cesta de itens para famílias com renda mensal de 1 (R$ 415,00) a 33 salários mínimos (R$ 13.695,00) em sete grandes capitais nacionais (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Brasília). Considera o período de trinta dias encerrado na semana anterior à sua divulgação.

08:30: Relatório Focus: relatório divulgado pelo Banco Central que compila as perspectivas de consultorias e instituições financeiras quanto a inúmeros indicadores da economia nacional.

11:00: Balança Comercial (semanal): diferença entre o volume de exportações e importações no Brasil.

11:00: Existing Home Sales (Fevereiro/09): mensuração do número de casas usadas vendidas nos EUA.

TERÇA-FEIRA - 24/03

10:00: Nota de Mercado Aberto (Fevereiro/09): relatório sobre operações de mercado aberto realizadas pelo Banco Central do Brasil.

QUARTA-FEIRA - 25/03

07:00: Índice de Preços ao Consumidor - IPC (3° quadrissemana março/09): índice que indica a inflação para o consumidor de São Paulo que possui renda de 1 (R$ 415,00) a 20 salários mínimos (R$ 8.300,00).

09:00: Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 - IPCA-15 (Março/09): mede a inflação para famílias com rendimentos mensais de 1 (R$ 415,00) a 40 salários-mínimos (R$ 16.600,00) no período compreendido entre o dia 15 do mês de referência e o dia 15 do mês anterior.

09:30: Índice de Preços ao Consumidor Amplo Especial - IPCA-E (1° Trimestre/09): IPCA calculado no período compreendido entre os meses de janeiro e março.

09:30: Durable Good Orders (Fevereiro/09): indica o número de pedidos e entregas de bens duráveis nos EUA durante o mês de referência.

10:00: Nota do Setor Externo (Fevereiro/09): informações apresentadas pelo Banco Central referentes ao Balanço de Pagamentos e reservas internacionais.

11:00: New Home Sales (Fevereiro/09): indica o número de casas novas vendidas nos EUA.

12:00: Estoques de Petróleo Norte-Americano (semanal): reflete o consumo de petróleo em território norte-americano.

QUINTA-FEIRA - 26/03

08:00: Sondagem do Consumidor (Março/09): pesquisa realizada com uma amostra de 200 famílias nas sete principais capitais do país. Apresenta algumas expectativas relacionadas a consumo, mercado de trabalho, dentre outros.

09:30: Pesquisa Mensal de Emprego (Fevereiro/09): documento que apresenta alguns indicadores referentes ao mercado de trabalho nacional no mês de referência.

09:30: Initial Claims (semanal): número de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA. Importante indicador que transparece a evolução do crescimento da economia norte-americana sob a óptica de alocação da mão-de-obra.

09:30: Produto Interno Bruto dos EUA - (4° trimestre/08): divulgação dos dados do PIB norte-americano e seu deflator. Indicador importantíssimo e que deverá ser observado de perto pelo mercado.

10:00: Nota de Política Monetária (Fevereiro/09): relatório divulgado pelo Banco Central que apresenta dados relativos aos agregados monetários da economia.

SEXTA-FEIRA - 27/03

09:30: Personal Income e Personal Spending (Fevereiro/09): índices que retratam, respectivamente, a renda e gastos dos norte-americanos.

09:30: Núcleo do PCE (Fevereiro/09): principal indicador de inflação acompanhado pelo Fed

10:55: Michigan Sentiment (Março/09): mensuração da confiança dos consumidores norte-americanos em relação à economia dos EUA.

Felipe Seitz Bento

Fonte: InfoMoney e Portal de Notícias G1

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