quinta-feira, 19 de março de 2009

Mercado de aço melhora, mas ainda está muito aquém do fôlego visto um ano atrás

Os dados da produção brasileira de aço em fevereiro parecem resumir bem o atual ambiente econômico. Breve melhora na comparação direta com janeiro, mas muito aquém do que era visto um ano antes, pouco antes de a crise se intensificar. O tímido incremento na última passagem mensal vai ao encontro do aumento na produção interna de veículos.

Em resumo, o destaque da apresentação do IBS (Instituto Brasileiro de Siderurgia) é que a produção conseguiu avançar 2,3% em fevereiro. Alta leve, mas de impacto maior pelo fato de fevereiro ser um período sazonalmente desfavorável, com vendas prejudicadas pelo Carnaval e pelo menor número de dias úteis.

Veículos
"Creditamos a alta da demanda interna por produtos siderúrgicos planos ao incremento consistente do volume produzido de veículos no País nos meses de janeiro e fevereiro de 2009", argumenta a Ágora Corretora. Desta observação dá para extrair duas questões fundamentais: a melhora atinge principalmente aços planos e vem basicamente do consumo doméstico.

Movimento discrepante
Enquanto as vendas de aços laminados planos subiram 10,6% frente ao mês diretamente anterior, as de produtos longos caíram 10,3% na mesma base de comparação. No entanto, o saldo das exportações aponta o contrário."

O crédito desse movimento é devido à medida do governo de isentar o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de veículos, o que impulsionou as vendas de automóveis no Brasil inteiro, favorecendo principalmente a demanda por aços planos. É esperado que um aumento dos gastos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) favoreça o setor de construção civil, e consequentemente o mercado de aços longos", explica a Link Investimentos.

Pior para a Gerdau
Das três grandes produtoras de aço listadas na bolsa brasileira, a Gerdau (GGBR4, GGBR3) acumula pior desempenho em suas ações neste início do ano. Do movimento descrito acima, a maior exposição da empresa em aços longos pesa no fator interno. No entanto, a perspectiva de que o fator externo pode compensar esta perda é prejudicada pelo fato da Gerdau ter operações voltadas ao mercado norte-americano.

"O cenário para a siderurgia na América do Norte no primeiro trimestre parece pior que aquele do quarto trimestre do ano passado, e não vislumbramos perspectivas de recuperação no curto prazo", destaca a Ativa, que cita pressão extra sobre a Gerdau. As operações na América do Norte responderam por 39% da produção de aço bruto e 25% da geração de caixa da companhia em 2008.

O que vem pela frente
Em resumo, dá para identificar uma melhora no segmento de planos internamente e redução dos estoques externos, que podem ajudar na retomada das exportações. Ainda assim, os analistas esperam que uma recuperação mais consistente tanto aqui dentro quanto lá fora demore um pouco mais.

Fonte: InfoMoney

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