domingo, 15 de março de 2009

Para bancos, risco de inflação não deve aumentar com medidas de liquidez

SÃO PAULO - Depois da deflação ter figurado entre as preocupações dos economistas como reflexo da crise financeira internacional, agora a inflação volta à discussão, com o mercado temendo uma forte alta dos preços no médio prazo em resposta às medidas de liquidez e quedas dos juros básicos adotadas pelo Federal Reserve e outros bancos centrais ao redor do globo.

Nos Estados Unidos, o crescimento da oferta de moeda depois das ações do governo é visível. De acordo com o Bank of America Merrill Lynch, a base monetária do país avançou 67% no quarto trimestre de 2008, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Porém, apenas esse número não confirma a perspectiva de inflação futura que muitos têm alardeado. Conforme os analistas do Deutsche Bank, "é tão fácil reduzir a oferta de dinheiro quanto aumentá-la - se os bancos centrais quiserem e puderem fazer isso".

Detalhes do aumento não sugerem risco
Detalhando o crescimento, a equipe de análise da Merrill Lynch mostra que o crescimento do M1 (papel moeda mais depósitos à vista) no período foi abaixo de 12%, enquanto o M2 (M1 mais os depósitos em poupança) e o M3 (M2 mais títulos públicos) cresceram 9% e 6,2%, respectivamente. Na comparação com o terceiro trimestre, o resultado é ainda mais divergente: o M3 registrou declínio de 0,6%.

"Em resumo, o crescimento da moeda que importa não está se expandindo, apesar da extensão da folha de balanço do Fed. Adicionalmente, a velocidade da moeda continua baixa", avalia a Merrill Lynch, concluindo que, "como consequência, o risco de inflação neste ano ser causada pelo recente aumento na oferta de dinheiro é desprezível".

Queda dos preços é mais factível
Conforme a análise da Merrill Lynch, o atual cenário econômico norte-americano indica, na verdade, uma potencial queda dos preços. Segundo a instituição, a perda agregada na riqueza dos cidadãos chega a US$ 12,9 trilhões, um declínio de 20% desde seu pico, em meados de 2007. "Uma destruição de riqueza dessa magnitude é sem precedentes na era do pós-Segunda Guerra Mundial".

De acordo com os analistas, a comparação histórica sugere que há uma forte correlação entre a queda da riqueza e o aumento da poupança. "E essa surpreendente queda anual de 18% no valor líquido é altamente deflacionária", sugere a Merrill Lynch.

A equipe do Deutsche Bank é ainda mais enfática. "As preocupações de que a expansão global da oferta de dinheiro pelos bancos centrais irá levar à superinflação revelam uma neurose mais do que qualquer outra coisa", afirma o banco. Para eles, 2009 e principalmente o segundo trimestre do ano, irá mostrar quedas nos preços em diversos países.

É necessário ficar atento
Apesar de acreditarem que a expansão da base monetária não irá refletir uma inflação, os analistas do Deutsche Bank alertam para a necessidade dos bancos centrais ficarem atentos para não perder o ponto no qual será correto mudar de atitude. "Assim que a confiança voltar aos mercados financeiros, a grande base monetária deve ser estreitada substancialmente".

Fonte: InfoMoney

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