Aproveitando o embalo, mais um pouco de juros.
Porque a Selic não é refletida diretamente nas taxas contratadas junto aos bancos?
Eis a resposta!
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Reduções da Selic demoram para chegar ao ‘mercado real’. Bancos contam impostos e inadimplência nos juros que cobram.
Muitas vezes é difícil perceber o efeito da redução da taxa básica de juros – a Selic – na economia real. Na quarta-feira, o Banco Central (BC) reduziu esta taxa para 11,25% ao ano, com corte de 1,5 ponto percentual. Entretanto, a redução muitas vezes demora a chegar a empresas e consumidores.
Uma lanchonete de São Paulo viu o movimento diminuir à medida que seus clientes – os trabalhadores de seu entorno – perdiam o emprego. “Todo mês tinha três, quatro, cinco pessoas que davam o calote”, lembra o proprietário, Rogério Ribeiro.
Para não atrasar o salário dos empregados, Rogério pegou um empréstimo no banco. Vai pagar em vinte e quatro meses, com juros de 70% ao ano. ” Esse dinheiro, se a gente não tivesse que pagar juros, ia investir para melhorar nosso ambiente de trabalho.”
Ontem, o BC reduziu a taxa básica de juros. E vários bancos também anunciaram cortes nos juros dos financiamentos. Os juros regulados pelo Banco Central servem de referência para o mercado. É o valor que o governo paga quando pega dinheiro emprestado.
Mas as empresas e as pessoas físicas pagam taxas bem maiores. As taxas para o mercado também vêm caindo muito devagar. Um estudo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac) mostra que, apesar da queda na Selic, os juros para o consumidor tiveram redução de 1,81% em fevereiro. Para as empresas, na média, não houve redução.
Enquanto a taxa básica do governo está em 11,25% ao ano, a do empréstimo pessoal, por exemplo, chega a 90% ao ano.
Fator inadimplência
Márcio Nakane, professor de economia da Universidade de São Paulo (USP), explica os motivos que fazem essa diferença tão grande: nos valores que os bancos cobram estão incluídos vários custos, como impostos e despesas administrativas, além do lucro.
Mas o peso maior hoje por causa da crise é o da inadimplência. “Como o risco é maior, ou seja, existe uma boa probabilidade de que ao emprestar o banco não receba de volta esses recursos, ele de alguma forma embute nesse risco o preço que ele cobra: a taxa de juros”, ressalta Nakane.
O professor diz ainda que a criação de um cadastro com informações sobre bons e maus pagadores poderia ajudar a reduzir os juros para o consumidor. A proposta existe: é a do cadastro positivo. Mas está parada no congresso.
Com esse cadastro, os bancos poderiam cobrar taxas menores de quem paga em dia e disputariam esses clientes. “Isso aumenta a concorrência entre os bancos e é outro fator por sinal de redução das taxas de juros para os consumidores.”
Fonte: Portal de Notícias G1
quinta-feira, 12 de março de 2009
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