terça-feira, 17 de março de 2009

Gigantes do setor financeiro se dizem rentáveis em 2009, mas não explicam como

Semana passada foi o Citigroup, JP Morgan e Bank of America. Nesta, Barclays, Standard Chartered e HSBC já se declararam.

Fato ou história para gerar falsos estímulos altistas ao mercado no curto prazo? Veremos ao final do trimestre com a divulgação dos balanços.

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A moda agora é acalmar investidores dizendo ter sido rentável nos dois primeiros meses de 2009. Literalmente, a tendência ganhou fama com grandes bancos de Wall Street e já atravessou fronteiras. Num ambiente de incerteza sobre o sistema financeiro essa foi cartada que prosperou nos mercados nos últimos dias.

Até a terça-feira (17) foram cinco instituições protestando contra o clima de desconfiança, diante de um início de ano que não se pode reclamar. Citigroup, JP Morgan Chase, Bank of America, e os britânicos Barclays e Standard Chartered tiveram um primeiro bimestre forte e rentável.

Apesar das manifestações dos CEOs (Chieff Executive Officers) e as valorizações das ações nas bolsas, analistas não ficaram convencidos com palavras. Sem os números consolidados, restam dúvidas sobre onde os bancos estão ganhando dinheiro em meio ao cenário de desconfiança instalado na recessão dos EUA.

Reginaldo Siaca, gerente da Advanced Corretora de Câmbio, escreveu em sua coluna na InfoMoney: "achei muito estranho. Com todo o dinheiro injetado pelo governo norte-americano, em bancos expressivamente alavancados com ativos subprime, não sei como conseguiram obter resultados. Mistérios ou mágica da economia".

Rentável onde?
O economista-chefe do banco de investimento Geração Futuro, Gustav Gorski, arrisca a possibilidade de que, como as instituições precificaram muito prejuízo, colocando recursos como provisão, existe a chance de a perda efetiva ter sido menor, acarretando em reversão da posição.

Citi foi o pioneiro em alertar para sua rentabilidade. No dia 9 de março, em carta aos funcionários, Vikram Pandit escreveu: "de fato, tivemos lucro nos dois primeiros meses de 2009 e estamos tendo nossa melhor performance trimestral desde o terceiro trimestre de 2007". Entre janeiro e fevereiro, as receitas antes de despesas do grupo totalizaram US$ 19 bilhões.

"O ajuste de custos foi muito grande. Muita gente foi para a rua. Eles se livraram dos problemas para que os próximos balanços possam ser saudáveis", lembra Gorski, que não vê possibilidade de ganho com crédito. É importante salientar, porém, que devido ao juro básico reduzido naquele país (na faixa entre zero e 0,25% ao ano), há facilidade dos bancos em captar recursos e repassar ao tomador final com um leve ganho.

O especialista da Geração Futuro aponta também a questão dos pesados aportes do Federal Reserve. "Pegaram muito dinheiro e podem ter usado inclusive para girar através da compra de títulos públicos", interpreta.

AIG reforça tese
No domingo, a AIG (American International Group) reforçou a hipótese de reversão de perdas. A seguradora informou que bancos europeus e norte-americanos, assim como estados dos EUA, receberam cerca de US$ 105 bilhões da seguradora em pagamentos de seguro de títulos podres.

Fonte: InfoMoney

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