Será o fundo do poço? Eis a pergunta que não quer calar
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Para o investidor, interessa saber se o fôlego demonstrado pelas bolsas nos últimos dias é sustentável. Para tal, o primeiro passo é identificar a raiz desta recente melhora de humor, que no caso são os bancos. A partir daí, resta avaliar se o sinal positivo vindo dos bancos é sustentável.
Boa parte do otimismo do mercado vem do fato das próprias instituições financeiras afirmarem que 2009 aponta melhora significativa em suas operações. O mercado assumiu pois diariamente alguma instituição confirmava a versão inicial do Citi. No entanto, as condições de crédito se deterioram. Elevada inadimplência em cartões de créditos, piora na economia real.
Pior pode não ter passado
Meredith Withney, ex-Oppenheimer e atualmente com sua própria equipe de análise, vai na direção contrária dos bancos. Em entrevista à rede CNBC, a famosa analista acredita que o pior ainda pode estar por vir para o setor; exatamente o contrário que o bom humor do mercado sugere.
"Acredito que este ano não parece melhor que o ano passado em nada" afirmou sobre o setor. "De fato, parece até pior, pois há muito crédito sendo eliminado do sistema", argumenta. Meredith lembra ainda da pressão extra sobre os bancos, seja da elevação das taxas de desemprego, seja pelos já elevados níveis de inadimplência.
Capacidade de emprestar
Ninguém melhor que os bancos pode retratar a situação operacional destas instituições. Ainda assim, a real efetividade das declarações ainda é incógnita.
"Evitou-se quebra de bancos, mas o mercado de crédito permanece virtualmente travado. Sem que se restabeleça a capacidade de emprestar dos bancos, o cenário de uma longa estagnação econômica ganha força", apontou a SulAmérica Investimentos em relatório de perspectiva semanal.
Caminho acidentado
Pensando no passado, o início de 2009 pode ter levantado a moral do setor por aparente melhora, menos risco de quebra e otimismo inflado pela complicada situação de que vinham em meses anteriores.
Pensando à frente, as palavras de Meredith incorporam sobriedade à análise, pois lembram que a massa crescente de desempregados é sinônimo de pressão extra sobre os atuais níveis de inadimplência. Na véspera, American Express confirmou que as taxas de inadimplência com cartões de crédito atingiram patamar não visto antes para um mês de fevereiro.
Quebra, fusões e aquisições
"A probabilidade de mais gente dando calote é alta, então os bancos devem enfrentar um período muito difícil". Como consequência, mais do que já foi visto. "Quebras, fusões e aquisições em larga escala", espera Meredith para o desenrolar do ano.
Desta ideia parte a expectativa de que lá na frente o resultado seja um setor bem menos representativo. A analista acredita que uma boa saída para os bancos é o governo olhar com mais atenção para os pequenos, fortalecer as instituições regionais. O plano de Geithner também pode trazer novidade para este debate, mais ainda falta detalhamento.
O sentimento dos mercados parece ter mudado de uma semana para cá, mas seu foco continua e deve continuar o mesmo.
Fonte: InfoMoney
terça-feira, 17 de março de 2009
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