Caros Traders,
-9,36%, +7,63, +0,52%, -7,34%, -3,53%. Essa foi a sequência de variações do Ibovespa ao final dos pregões de todos os dias da semana. Grandes oscilações marcaram os últimos dias em razão, evidentemente, do tão aguardado (ou não) pacote de socorro do governo dos EUA para aquisição de títulos podres das instituições financeiras em território americano.
Após a rejeição do plano de socorro pela Câmara americana, as bolsas de todo o mundo, que já haviam iniciado o dia receosas pela quebra de instituições financeiras européias, desabaram de vez. No Brasil, inclusive, a queda de 9,36% não foi o fundo do poço. O recuo máximo foi de 13,81%, o que exigiu a necessidade de ativação do até então enferrujado circuit breaker da bolsa nacional, mecanismo que interrompe as negociações do dia por um pequeno período visando a recomposição do mercado - no caso da Bovespa, o circuit breaker é acionado quando o mercado atinge queda de 10%. Isso não ocorria há quase 10 anos, em 1999, momento da extrema desvalorização do real e algumas crises internacionais.
Cabe destacar que a intensidade da queda não foi vista apenas por aqui. O índice Dow Jones sofreu queda de 6,98%, o Nasdaq recuou 9,14% e o S&P 500 fechou em baixa de 8,81%. As empresas de Wall Street perderam, em apenas um dia, o equivalente a mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado. Na Europa as quedas foram mais brandas, como os -4,23% da bolsa de Frankfurt.
Na terça-feira os boatos de que o plano poderia ser remodelado e voltar à Câmara para aprovação melhoraram as expectativas dos investidores e fizeram com que a bolsa fechasse o último dia de setembro em forte alta de 7,63%, ainda incapaz de recuperar os prejuízos do dia anterior.
O dia seguinte, no entanto, prometia mais novas e fortes emoções. Em um processo que raramente ocorre nos EUA, o plano, mesmo sem a aprovação da Câmara, foi encaminhado para votação no Senado, onde, após o fechamento das bolsas, veio a ser aprovado com boa margem de segurança. No mesmo dia, o megamilionário Warren Buffet anunciou a aquisição de US$ 3 bilhões em ações da General Electric, a qual vem enfrentando algumas dificuldades em função de efeitos já observados em decorrência da crise. A empresa ainda anunciou a oferta de ações ordinárias no valor de US$ 12 bilhões.
Após dois pregões positivos, a quinta-feira tratou de apagar todos os ganhos dos dias anteriores. As razões? Todas novamente relacionadas às más expectativas quanto à aprovação do pacote, o qual seria votado pela Câmara americana na sexta-feira. Alguns indicadores, evidentemente, também auxiliaram na derrocada dos índices, como o Initial Claims, número de pedidos de auxílio desemprego, que veio em seu maior nível dos últimos sete anos.
Na mesma quinta-feira o Banco Central do Brasil anunciou algumas novas medidas com o intuito de injetar liquidez no mercado. Dessa forma, reduziu algumas exigências referentes aos empréstimos compulsórios, permitindo a redução do percentual de recursos destinados pelos bancos comercias ao BC por meio da aquisição de operações de crédito de outras instituições financeiras.
A sexta-feira marcou, finalmente, a aprovação do tão esperado pacote. Com algumas alterações visando beneficiar o contribuinte norte-americano, além da elevação do limite de depósitos garantidos e outras pequenas medidas, o plano passou a ser estimado em US$ 850 bilhões. Mas nada disso foi o suficiente para animar os investidores, agora bastante céticos quanto à sua real efetividade. As bolsas voltaram a cair e a semana brasileira terminou com o pior saldo do ano, de -12,34%.
Durante o dia, a Aracruz que, junto com a Sadia, havia sido uma das empresas prejudicadas pela valorização do dólar em função da alta exposição a operações de hedge, anunciou seus prejuízos, os quais somaram expressivos R$ 1,95 bilhão. Suas ações recuaram 24,81% durante o dia.
Na próxima semana, veremos como seguirão as reações do mercado à aprovação do pacote. Dos indicadores, a agenda nacional terá como destaque o IPCA de setembro. Nos EUA, cabe ressaltar o Consumer Credit de agosto que, em função da falta de liquidez do mercado, poderá vir já com alguma redução.
Abaixo, com informações do site InfoMoney, apresentamos a agenda da semana:
SEGUNDA-FEIRA - 06/10
08:30: Relatório Focus: relatório divulgado pelo Banco Central que compila as perspectivas de consultorias e instituições financeiras quanto a inúmeros indicadores da economia nacional.
11:00: Balança Comercial (semanal): diferença entre o volume de exportações e importações no Brasil.
Primeiro dia de reunião do Banco do Japão - BoJ: primeiro dia de reunião do BoJ, o qual é dedicado à análise do cenário econômico.
TERÇA-FEIRA - 07/10
07:00: Taxa Básica de Juros do Japão: segundo dia de reuniões do BoJ, o qual tem como resultado a divulgação da taxa básica de juros do mercado financeiro japonês.
08:00: Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna - IGP-DI (Setembro/08): média ponderada do Índice de Preços ao Atacado (IPA, que representa 60%), Índice de Preços ao Consumidor (IPC, que representa 30%) e Índice Nacional da Construção Civil (INCC, representa os 10% restantes). Importante indicador de inflação nacional pelo fato de apresentar o comportamento dos preços tanto para o consumidor final quanto para os “setores meio” da economia.
09:30: Pesquisa Industrial Regional (Agosto/08): evolução do produto na indústria nacional com base em regiões e estados do país.
09:30: Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Setembro/08): levantamento dos preços e custos de materiais utilizados no setor de construção civil.
15:00: Divulgação da Minuta do FED: justificará a decisão do FED pela permanência da taxa básica de juros norte-americana no patamar de 2,00% a.a.
16:00: Consumer Credit (Agosto/08): mensuração do total de crédito ao consumidor nos EUA.
QUARTA-FEIRA - 08/10
08:00: Índice de Preços ao Consumidor Semanal - IPC-S (quadrissemanal): mede a variação de preços de uma cesta de itens para famílias com renda mensal de 1 (R$ 415,00) a 33 salários mínimos (R$ 13.695,00) em sete grandes capitais nacionais (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Brasília). Considera o período de trinta dias encerrado na semana anterior à sua divulgação.
09:00: Índice de Preços ao Consumidor Amplo - IPCA e Índice Nacional de Preços ao Consumidor - INPC (Setembro/08): o IPCA é considerado o índice oficial de inflação, uma vez que seu comportamento reflete diretamente nas decisões de política monetária nacional. Mede a inflação para famílias com rendimentos mensais de 1 (R$ 415,00) a 40 salários-mínimos (R$ 16.600,00). Já o INPC mensura as alterações nos preços para famílias com rendas mensais de 1 (R$ 415,00) a 6 (R$ 2.490,00) salários-mínimos.
10:00: Levantamento da Produção Agrícola (Setembro/08): informações sobre acompanhamento e previsão de safras no Brasil.
11:00: Índice de Custo de Vida (Setembro/08): indicador do custo de vida dos moradores do município de São Paulo.
11:00: Pending Home Sales (Agosto/08): apresenta o número de casas vendidas com contrato assinado nos EUA sem transação efetivada.
11:30: Estoques de Petróleo Norte-Americano (semanal): reflete o consumo de petróleo em território norte-americano.
QUINTA-FEIRA - 09/10
07:00: Índice de Preços ao Consumidor - IPC (Setembro/08): índice que indica a inflação para o consumidor da cidade de São Paulo que possui renda de 1 (R$ 415,00) a 20 salários mínimos (R$ 8.300,00).
08:00: Índice Geral de Preços Mercado - IGP-M (primeiro decêndio de outubro): como os demais “IGPs”, é uma média ponderada do Índice de Preços ao Atacado (IPA, 60%), Índice de Preços ao Consumidor (IPC, 30%) e Índice Nacional da Construção Civil (INCC, 10%), apresentando, assim, o comportamento dos preços nos setores finais e intermediários da economia. Refere-se ao período entre o dia 21 do mês anterior e o dia 20 do mês atual e é o indicador de inflação mais esperado da semana.
09:30: Initial Claims (semanal): número de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA.
11:00: Wholesale Inventories (Agosto/08): informações sobre as vendas e estoques do setor atacadista norte-americano.
Inglaterra: Taxa de Juro Básico: reunião de política monetária do Banco Central Europeu da Inglaterra com possíveis alterações nas taxas de juros do país.
SEXTA-FEIRA - 10/10
08:00: Índice de Preços 3° Idade - IPC - 3i (Julho, Agosto e Setembro/08): indicador que reflete a variação nos preços de uma cesta de bens de consumo para a terceira idade.
09:00: Pesquisa Industrial de Emprego e Salário (Agosto/08): conjunto de indicadores relativos ao mercado de trabalho nacional.
09:30: Export Prices e Import Prices (Setembro/08): respectivamente, preços de exportação e importação praticados pelos EUA. Esses índices excluem de suas composições itens mais voláteis, como petróleo e gêneros agrícolas.
09:30: Trade Balance (Agosto/08): resultado da balança comercial norte-americana no mês de agosto.
15:00: Treasury Budget (Setembro/08): dados do orçamento governamental norte-americano relativos ao mês de setembro.
Felipe Seitz Bento
Fontes: InfoMoney e Portal de Notícias G1
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
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2 comentários:
Bento, desculpa a ignorência, mas qual a relação entre a valorização do dolar, os maus resultados da Aracruz e as operações de hedge nas quais ela se envolve?
Essas operações não servem justamente pra reduzir os riscos cambiais?
Abraço!
Servem para reduzir risco cambial sim. Só que tem duas questões. A primeira é que as operações de hedge protegeriam a empresa no caso de DESVALORIZAÇÃO do dólar, uma vez que neste cenário suas exportações seriam prejudicadas. No caso de valorização da moeda americana a operação incorre em prejuízo.
E o segundo ponto é que a Aracruz, Sadia e outras empresas que ainda não foram divulgadas ficaram altamente expostas a esse tipo de operações. Logo, com a valorização do dólar, que por si só, já provocaria uma operação de hedge com prejuízo, combinado com a alta exposição, os resultados foram prejuízos muito altos como eu coloquei no blog.
Abraço,
Bento
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