segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Lehman Brothers pode 'arrastar' bancos em todo o mundo

Caros colegas,

Como vocês já devem ter visto nas principais manchetes de hoje, o Lehman Brothers, 4°maior banco de investimentos dos EUA, não teve a mesma sorte que outras instituições financeiras - leia-se, apoio do governo norte-americano - e está prestes a quebrar (digamos que as chances de isso acontecer estão em 99%). Para que todos tenham uma idéia do que isso significa para o mercado financeiro global, posto abaixo a coluna do Sardenberg desta manhã. Lembrando também que o Merryl Linch foi adquirido pelo Bank of America neste final de semana. Caso contrário, era grande a chance de se juntar ao Lehman Brothers.

Abraços a todos e que tenham um bom dia. Apesar dos pesares.

Felipe Seitz Bento

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Qual é o medo maior hoje em Wall Street?

É saber quais outros bancos estão “expostos” ao Lehman Brothers – e quanto estão expostos. Ou seja, saber quais bancos financiaram o Lehman de alguma forma, comprando títulos ou fazendo empréstimos diretos, agora sob o risco de não serem pagos. Por isso, o crédito interbancário some da praça: ninguém sabe quem será levado junto com o Lehman.
Ao solicitar a concordata, o Lehman Brothers listou dívidas de US$ 613 bilhões – uma quantia espantosa. Lembre-se: o Bank of America comprou o Merryl Linch, maior que o Lehman, por “apenas” US$ 50 bilhões.
No requerimento formal de concordata, o Lehman Brothers também listou bancos que têm “créditos não assegurados”. Entre estes, o maior empréstimo direto é de um banco japonês chamado Aozora, de Tóquio, que tem US$ 463 milhões pendurados no Lehman. Seguem-se outro banco japonês, o Mizuho, (US$ 289 milhões), o americano Citibank, com US$ 275 milhões, e o BNP Paribas, que emprestara US$ 250 milhões. Dá bem uma idéia de como a crise é global. Há ainda dezenas de outros bancos nessa situação, de credores “não assegurados”, muitos japoneses, mas também instituições chinesas, de Hong Kong, e de Taipei e Cingapura.
Além disso, o Lehman Brothers informou ter uma dívida de US$ 155 bilhões (!) em bônus, ou seja, em títulos que foram vendidos para seus clientes, investidores do mundo todo. Esses bônus sempre têm garantia de um outro banco, que se torna “fiduciário” dos títulos. E os diretores do Lehman informaram que entre esses bancos fiduciários estão o Citi, de novo, e o Bank of New York.
A questão é saber até que ponto esses bancos têm proteção contra as perdas ocasionadas pela concordata do Lehman Brothers.
Por isso, os bancos centrais do mundo, além de instituições privadas internacionais, estão oferecendo linhas de crédito de curto prazo – para apoiar bancos que não conseguem tomar dinheiro no sistema normal, dada a desconfiança generalizada.
Quebrar essa desconfiança – esse é o principal objetivo dos bancos centrais.
Para aliviar um pouco o caso, este dado: o Lehman Brothers informou ter ativos de US$ 639 bilhões, valor um pouco superior ao das dívidas. Resta saber a qualidade desses ativos e sua liquidez.
Enquanto isso, segurem-se!

Carlos Alberto Sardenberg

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