domingo, 14 de setembro de 2008

Agenda da Semana: Agora Vai?

Caros Traders,

Novamente tivemos uma semana extremamente agitada com forte influência do noticiário econômico sobre os mercados de todos os países. No Brasil, especialmente, as boas novas relacionadas à existência de petróleo em novo poço da Bacia de Santos concentraram as atenções dos investidores. E isso que ainda tivemos as reuniões do Copom para definição da Taxa Selic e divulgação do PIB referente ao segundo trimestre. No exterior, controle governamental sobre as agências hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac, inúmeros problemas relacionados ao banco americano de investimentos Lehman Brothers, divulgação do PPI de agosto e retração econômica na Europa e Japão foram os principais destaques.

Começamos no último domingo, quando o Tesouro norte-americano anunciou um plano de socorro às agências hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac. Dentre as principais ações, assunção de 79,9% do controle acionário de ambas as agências, compra de títulos com o objetivo de injeção de liquidez, investimentos de US$ 200 bilhões divididos pelas duas instituições e substituição de seus executivos chefes. O resultado imediato foi observado na segunda-feira com a alta das bolsas por todo o mundo. Dow Jones subiu 2,58%, França 3,42%, Inglaterra 3,92%, Japão 3,38% e Brasil... Brasil? Apesar de os índices futuros terem registrado na manhã de segunda-feira altas de mais de 3%, as novas quedas de preços das commodities fizeram com que o Ibovespa encerrasse o primeiro dia da semana, para desespero de muitos, em queda de 2,35%.

Com relação às agências hipotecárias, análises mais realistas da ação governamental apontam pontos positivos e negativos. Os principais defensores se apóiam na maior liquidez que o plano promoverá ao mercado hipotecário. Acreditam que, dessa maneira, ocorrerá um aumento na disponibilidade de financiamentos imobiliários, conseqüente elevação de preços dos imóveis e redução dos atuais níveis de inadimplência - os quais vêm ocorrendo justamente pelas quedas nos preços dos imóveis, já que, diante da desvalorização de suas residências, os americanos passaram a interromper os pagamentos devidos às instituições financeiras. Do lado negativo, inúmeras críticas à atitude de intervenção governamental por parte do Tesouro, principalmente pelos altos investimentos a serem realizados e possibilidade de redução de ganhos pelos acionistas das duas organizações em função de uma gestão mais conservadora do governo. Cabe mencionar que, após o término dessa assunção de controle, a qual ocorre até final de 2009, a Fannie Mae e Freddie Mac realizarão pagamentos trimestrais ao governo com o fim de ressarcir parcialmente os gastos do governo com as ações realizadas.

No Brasil, a segunda-feira ainda registrou a divulgação de alguns dos principais índices de preços. O IPC-S apresentou aceleração da inflação, registrando variação de 0,20% frente aos 0,14% da semana anterior. Já o IGP-DI - o IGP do mês fechado, ou seja, do dia 1° a 31 de agosto - registrou deflação de 0,38%, frente a aumento de 1,12% no mês de julho. Tais variações indicam como as quedas nos preços das commodities durante o mês de agosto foram importantes para a correção (para baixo) dos preços no Brasil. Quanto ao Relatório Focus, destaque para nova redução nas projeções para o IPCA - a taxa esperada caiu de 6,32% para 6,27%.

A terça-feira foi marcada por nova queda da bolsa brasileira, a qual caiu expressivos 4,35% e atingiu seu menor patamar desde agosto de 2007 (48.435 pontos). No entanto, dessa vez apenas acompanhou o movimento das bolsas internacionais, as quais operaram com fortes quedas. As razões estiveram relacionadas, principalmente, à não concretização do negócio entre Lehman Brothers e o Korea Development Bank, o que prejudicou ainda mais as expectativas quanto ao futuro do banco americano e do mercado financeiro internacional. Também pesou a redução no número de vendas de casas nos EUA (Pending Home Sales) durante o mês de julho, indicador que registrou redução de 3,2% frente a junho e ratificou a permanência dos problemas relacionados ao setor imobiliário do país.

Apesar das fortes quedas na segunda e terça-feira, o Ibovespa fechou a semana no campo positivo. E tal virada está intimamente relacionada a várias notícias divulgadas durante a última quarta-feira. A primeira foi o resultado do PIB nacional durante o segundo trimestre. Segundo o IBGE, a economia brasileira cresceu 6,1% frente ao mesmo período do ano passado e 1,6% em comparação ao primeiro trimestre de 2008. Tal resultado foi fortemente amparado pelo setor agropecuário, que registrou elevação de 3,8% no período entre abril e junho. Inclusive, cabe destacar as boas perspectivas para esse segmento, uma vez que a produção agrícola, por exemplo, deverá crescer 9% neste ano, para 145,1 milhões de toneladas, marca histórica até então.

Ao final do dia veio a já precificada elevação da Taxa Selic em 0,75%, para 13,75%. No entanto, a decisão não foi unânime, uma vez que houve certa divisão entre os membros do Copom que defenderam o reajuste realizado e outros três membros adeptos de um reajuste menor, em 0,5%. Apesar dos registros recentes de quedas nos preços, o colegiado tomou a decisão com base em seus efeitos para o próximo ano. Isso porque as projeções para a inflação em 2009 apontam alta dos preços em 5%, ainda acima do centro da meta de 4,5%, a qual o Banco Central pretende alcançar. Assim, frente ao crescimento da economia nacional - que pode se traduzir em elevação da demanda sem oferta correspondente e consequente elevação dos preços -, e também com base na recente valorização do dólar frente ao real - o que provoca encarecimento das importações e, por conseguinte, inflação nos produtos e serviços que dependem de insumos adquiridos de outros países - o Copom decidiu pela alta da taxa básica de juros nacional.

Durante a quarta-feira também foram divulgados os estoques norte-americanos de petróleo, os quais foram reduzidos em 5,9 milhões de barris. No entanto, as refinarias dos EUA registraram forte redução no uso de sua capacidade, a qual caiu de 88,7% na semana anterior para 78,3% na última medição, ou seja, uma redução acima de 10% em apenas sete dias. No mesmo dia, a Opep ainda surpreendeu o mercado ao informar que viria a reduzir sua produção diária em 520 mil barris. Nada disso influenciou o mercado, sendo que em Nova York o barril de petróleo encerrou a semana em queda de 5,39%, bem próximo dos US$ 100,00, a US$ 100,88. Já em Londres, o barril passou a marca dos US$ 100,00, fechando sexta-feira a US$ 95,20. Todavia, apesar das freqüentes quedas no mercado internacional, veio do óleo negro a principal razão para a virada do Ibovespa.

Ainda ao final de quarta-feira, após o fechamento do pregão, a Petrobrás divulgou a comprovação da existência de Petróleo no poço de Iara. O volume de óleo leve recuperável no poço localizado no Bloco BM-S-11 - mesmo bloco onde se encontra o poço de Tupi - varia entre 3 e 4 bilhões de barris de petróleo leve e gás natural. Tendo em vista que a Petrobrás possui fatia de 65% na região - os 35% restantes são divididos entre o BG Group e a Galp Energia - analistas afirmam que o volume encontrado corresponde a um crescimento entre 16% e 22% de suas reservas.

A resposta do mercado à notícia foi instantânea. Ainda na quarta-feira as ações da estatal alcançaram a variação máxima (2%) nas negociações do after market. Na quinta-feira, PETR3 valorizou-se 10,23%, ao passo que PETR4 alcançou 9,48%. As altas permaneceram na sexta-feira, quando PETR3 obteve 4,44% e PETR4 5,10%. Ainda mais espantoso é verificar a valorização das opções de compra da empresa, as quais chegaram a alcançar espantosos 575% - de fato, as variações nos preços de opções geralmente são maiores que no mercado de ações.

Com esse “pequeno” impulso, tudo ficou mais fácil. E a quinta-feira foi de altas por todo o mercado nacional, que repercutiu muito bem as notícias referentes ao poço de Iara com valorização de 3,30% do Ibovespa. Nesse dia não houve a divulgação de indicadores importantes no Brasil, sendo que nos EUA foram apresentados os dados do orçamento do tesouro e da balança comercial. O orçamento, diferença entre volume de arrecadação e gastos do governo americano, registrou déficit de US$ 111,91 bilhões em agosto, melhor que o esperado, mas acima do déficit de julho em US$ 102,77 bilhões. Quanto à balança comercial de julho, novo déficit, desta vez em US$ 62,2 bilhões, maior resultado negativo nos últimos 16 meses, o qual pode ter sido decorrência das altas do petróleo durante o mês. Cabe mencionar, ainda, que a balança comercial dos EUA com os principais países - como alguns membros da zona do Euro, China, Japão e Canadá - foi sempre deficitária.

Para finalizar a semana, embora não tenham sido considerados pelo mercado, inúmeros dados que voltaram a trazer indícios de recessão por todo o planeta. De positivo, cabe ressaltar apenas o PPI de agosto, índice de preços ao atacado, que registrou deflação de 0,9%, variação melhor que a esperada pelo mercado (-0,5%) e muito abaixo do índice observado em julho (1,2%).

No entanto, as vendas no varejo (Retail Sales) - indicador que reflete o consumo das famílias, maior parcela do PIB americano - apresentaram queda de 0,3% no mês de agosto. O Retail Sales ex-auto, que apresenta as vendas no varejo desconsiderando o setor de automóveis (mais volátil que os demais), registrou queda ainda maior, de 0,7%.

Notícias piores viriam da zona do Euro, onde a produção industrial de julho recuou 0,3% frente a junho deste ano e 1,7% frente a julho de 2007. As previsões giravam em torno de um declínio mensal em 0,2% e anual de 0,7%.

Já no Japão, queda do PIB do segundo trimestre em 3% frente ao mesmo período de 2007. As principais razões estão relacionadas à redução do consumo interno e diminuição do volume de exportações. Como já mencionamos em um post anterior, a situação no país é bastante complicada, sendo que um pacote de incentivos no valor de US$ 107 bihões foi anunciado pelo governo há algumas semanas.

Para a próxima semana teremos importantes indicadores principalmente em âmbito internacional. Reunião do Fed e do Banco Central do Japão para definição de suas taxas básicas de juros, produção industrial dos EUA, preços ao consumidor e Leading Indicators são alguns dos principais acontecimentos.

No Brasil, destaque para o IGP-10 e, principalmente, para a última ata do Copom.

Abaixo, com informações do site InfoMoney, apresentamos a agenda da semana:

SEGUNDA-FEIRA - 15/09

08:30: Relatório Focus: relatório divulgado pelo Banco Central que compila as perspectivas de consultorias e instituições financeiras quanto a inúmeros indicadores da economia nacional. Como nas outras semanas, poderá ser conferido em primeira mão aqui mesmo no blog da ESAG TRADER.

09:30: NY Empire State Index (Setembro/08): mensuração da atividade manufatureira no estado.

10:15: Industrial Production e Capacity Utilization (Agosto/08): importantes indicadores da economia norte-americana, mensuram a produção industrial no país e o nível de utilização da capacidade das indústrias.

11:00: Balança Comercial (semanal): diferença entre o volume de exportações e importações no Brasil.

Vencimento de opções: ocorre o vencimento de opções sobre ações negociadas na BM&F Bovespa.

TERÇA-FEIRA - 16/09

08:00: Índice de Preços ao Consumidor Semanal - IPC-S (quadrissemanal): mede a variação de preços de uma cesta de itens para famílias com renda mensal de 1 (R$ 415,00) a 33 salários mínimos (R$ 13.695,00) em sete grandes capitais nacionais (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Brasília). Considera o período de trinta dias encerrado na semana anterior à sua divulgação.

08:00: Índice Geral de Preços 10 - IGP-10 (Setembro/08): como os demais “IGPs”, é uma média ponderada do Índice de Preços ao Atacado (IPA, 60%), Índice de Preços ao Consumidor (IPC, 30%) e Índice Nacional da Construção Civil (INCC, 10%), apresentando, assim, o comportamento dos preços nos setores finais e intermediários da economia. O IGP-10 possui como período de referência o intervalo compreendido entre o dia 11 do mês anterior e o dia 10 do mês atual.

09:30: Consumer Price Index - CPI (Agosto/08): índice de preços ao consumidor, é o principal indicador de inflação norte-americano.

10:00: Net Foreign Purchases (Julho/08): mensuração das compras líquidas - diferença entre compras e vendas - de ativos norte-americanos por estrangeiros.

15:15: Fed Funds Rate: divulgação da taxa básica de juros da economia norte-americana.

Pesquisa do Comércio (Julho/08): conjunto de indicadores que apresenta a evolução do comércio em cada região do Brasil.
Primeiro dia de reunião do Banco do Japão - BoJ: primeiro dia de reunião do BoJ, o qual é dedicado à análise do cenário econômico.

QUARTA-FEIRA - 17/09

09:30: Housing Starts e Building Permits (Agosto/08): indicadores que mensuram, respectivamente, o número de casas que começaram a ser construídas e o número de permissões para construções de residências nos EUA. Auxilia na melhor leitura da situação do setor imobiliário norte-americano.

11:30: Estoques de Petróleo Norte-Americano (semanal): reflete o consumo de petróleo em território norte-americano.

Segundo dia de reunião do Banco do Japão - BoJ: segundo dia de reunião do BoJ, o qual tem como resultado a divulgação da taxa básica de juros do mercado financeiro japonês.

Minuta da Reunião do Banco da Inglaterra: divulgação da última reunião do Banco da Inglaterra realizada no início de agosto. Apresentará o cenário macroeconômico inglês e as razões que justificaram a manutenção da taxa básica de juros inglesa.

QUINTA-FEIRA - 18/09

07:00: Índice de Preços ao Consumidor - IPC (Agosto/08): índice que indica a inflação para o consumidor da cidade de São Paulo que possui renda de 1 (R$ 415,00) a 20 salários mínimos (R$ 8.300,00).

08:00: Índice Geral de Preços Mercado - IGP-M (segundo decêndio de setembro): com a mesma composição do IGP-10, refere-se ao período entre o dia 21 do mês anterior e o dia 20 do mês atual.

08:30: Ata do Copom: divulgação da ata referente à última reunião do Copom com análise do cenário macroeconômico e apresentação dos fatores que justificam a elevação da Taxa Selic em 0,75%.

09:30: Initial Claims (semanal): número de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA.

11:00: Leading Indicators (Agosto/08): compilação de inúmeros indicadores da economia norte-americana já divulgados, como o número de pedidos de auxílio-desemprego, número de permissões para construção e custo de mão-de-obra.

11:00: Philadelphia Fed Index (Setembro/08): apresenta a mensuração da atividade industrial na região.

SEXTA-FEIRA - 19/09

Quadruple Witching: vencimento dos contratos futuros de índices acionários, contratos futuros de ações, opções sobre índices e opções sobre ações.

Felipe Seitz Bento

Fontes: InfoMoney e Portal de Notícias G1

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