Caros Traders,
Tivemos uma semana positiva no cenário econômico nacional, o que não ocorreu com a mesma amplitude no restante do planeta em função das ameaças cada vez mais concretas de recessão, as quais foram focadas basicamente nos países da zona do Euro e Japão.
Como já é de costume, a inflação novamente foi um dos destaques em âmbito nacional com diversos indicadores apresentando desaceleração. Divulgado na segunda-feira, o IPC-S subiu 0,24%, abaixo dos 0,34% referentes à semana anterior. O IPC da Fipe, que mensura a inflação na cidade de São Paulo, marcou 0,35%, com leve alta de 0,01% frente à medição anterior, mas ainda abaixo dos 0,45% do mês de julho.
No entanto, dos índices de inflação divulgados na semana, as atenções foram voltadas todas para o IGP-M. Índice adotado para correção monetária de inúmeros contratos e indexador de tarifas elétricas, o indicador do mês de agosto - período entre 21/07 e 21/08 - apresentou deflação de 0,32%, ficando abaixo das previsões apontadas pelo Relatório Focus (-0,11%) e do resultado mensurado no mês de julho (1,76%). Dentre seus três componentes - IPA, IPC e INCC - o primeiro foi o que apresentou a maior deflação, igual a -2,94%, resultado das reduções nos preços de alimentos e energia, conseqüência direta da recente baixa das commodities.
E no que depender das projeções do Relatório Focus os preços continuarão desacelerando. A pesquisa realizada pelo Banco Central junto às principais instituições financeiras do país indicou novo patamar para o IPCA de 2008, reduzindo as estimativas em 0,10%, para 6,34%. Comparando a projeção atual do IPCA com a de três semanas atrás, já podemos verificar uma queda de 0,20% nas estimativas para este que é o índice oficial de inflação do país. Quanto aos demais indicadores, as projeções anuais para o IGP-DI e IGP-M caíram de 10,86% para 10,38% e de 10,96% para 10,73%, respectivamente.
Dentre os demais dados da agenda nacional, vale ressaltar a Nota de Política Monetária e Operações de Crédito referente a julho. O levantamento realizado pelo Banco Central apontou um aumento mensal de 1,7% no volume de operações de crédito. Tal aumento ocorreu mesmo com a elevação das taxas médias mensais de juros praticadas pelas instituições financeiras, que passaram de 2,72% no mês de junho, para 2,81% em julho. Segundo o Banco Central, o volume de crédito na economia já representa 37% do PIB. Em julho de 2007, esse indicador estava na casa dos 32,4%.
Cabe mencionar, ainda, a Nota de Política Fiscal, também apresentada pelo Banco Central. O levantamento que apresenta dados referentes aos volumes de arrecadação e gastos do governo apontou elevação do resultado primário - diferença entre arrecadação e gastos do governo sem considerar pagamentos de juros -, o qual se situou na cada dos R$ 12,109 bilhões. No entanto, o saldo não foi suficiente para o pagamento dos juros devidos pelo governo, que totalizaram R$ 18,777 bilhões no mês de julho, resultando em um déficit nominal - diferença entre arrecadação e gastos do governo considerando pagamentos de juros - de R$ 6,668 bihões.
Quanto aos dados de crescimento da economia nacional, a agenda semanal foi bastante fraca. Os únicos indícios vieram da Sondagem Industrial, pesquisa realizada pela FGV junto ao setor industrial nacional. O Índice de Confiança da Indústria (ICI), principal indicador, apresentou crescimento de 1,1%, sendo que também merece destaque o crescimento da parcela de empresários que caracteriza a demanda para o setor como “forte” - passou de 24% para 29%.
No exterior, novamente algumas más notícias tiveram origem na Europa. Há cerca de duas semanas a divulgação do PIB da zona do Euro já havia preocupado o mercado devido à primeira retração de crescimento na história do bloco econômico. Nesta semana foi a vez da Alemanha, um dos seus principais membros, apresentar redução de 0,5% no segundo trimestre do ano. Como conseqüência, redução dos níveis de expectativas do empresariado alemão a patamares vistos apenas em 1983, ano em que o país enfrentou forte recessão. Além disso, queda do euro para o menor nível dos últimos seis meses. Na zona do Euro, de positivo cabe destacar apenas a leve redução da inflação de 4% para 3,8%, primeira queda desde março deste ano.
Outras preocupações vieram do Japão, cujo cenário de crise começa a ganhar cada vez mais força. Como no restante do planeta, os preços dos alimentos e energia tiveram forte impacto sobre a inflação, a qual alcançou seu maior patamar nos últimos 11 anos. Essa situação somada ao crescimento econômico altamente comprometido forçou o governo japonês a lançar um pacote no valor de US$ 107 bilhões para recuperação de alguns setores da economia.
Nos EUA, diversos dados e indicadores extremamente importantes, como a prévia do PIB referente ao segundo trimestre e a ata da última reunião do FED. O primeiro surpreendeu positivamente o mercado. Apresentando um crescimento de 3,3%, acima dos 2,7% aguardados pelos especialistas e bastante superior aos 0,9% do primeiro trimestre, a prévia do PIB americano foi a grande surpresa da semana. As razões para o resultado tão expressivo estão relacionadas ao aumento do consumo e crescimento das exportações. Pendendo para o lado negativo estão as previsões para o segundo semestre do ano, período no qual, segundo os analistas, a economia mundial deverá limitar o volume de vendas americanas para o exterior. Além disso, os efeitos positivos provocados pelo pacote econômico lançado pelo governo no primeiro semestre serão menos intensos, limitando o crescimento do consumo interno.
No que diz respeito à ata do FED, poucas novidades. Desaceleração da economia e crescimento da inflação novamente foram os principais pontos em pauta. As previsões dos analistas quanto à próxima reunião do FED estão divididas entre manutenção e leve aumento da taxa de juros básica norte americana.
Quanto aos demais indicadores norte-americanos, cabe destacar o volume de pedidos de bens duráveis à indústria, o qual subiu 1,3% e foi um dos principais fatores para a alta da bolsa americana na última quarta-feira. Quanto ao mercado imobiliário, o Existing Home Sales indicou a venda de 5 milhões de casas usadas - as expectativas giravam em torno dos 4,9 milhões -, sendo que o New Home Sales ficou no patamar de 515 mil vendas de casas novas, abaixo das estimativas em 525 mil.
A última semana também foi caracterizada pelas variações no preço do petróleo, as quais deverão continuar presentes nos próximos dias. As justificativas estão relacionadas ao furacão Gustav, o qual tem como rota o Golfo do México, uma das principais regiões produtoras de petróleo do planeta. O fenômeno que se intensificou neste sábado deverá atingir o território na próxima terça-feira.
Para a próxima semana novamente teremos uma agenda carregada de eventos importantes. No Brasil, além dos indicadores semanais de inflação, teremos a divulgação do IPCA de agosto pelo IBGE.
No cenário externo, apesar do feriado do Dia do Trabalho na segunda-feira, teremos uma semana com dados bastante interessantes sobre a economia e mercado de trabalho norte-americanos. O Livro Bege do FED, o ISM Index, o ISM Services e o Relatório de Emprego são alguns dos principais eventos dos próximos dias. E, claro, não podemos esquecer das reuniões do Banco Central Europeu e Banco Central da Inglaterra, os quais discutirão possíveis mudanças em suas respectivas taxas básicas de juros.
Abaixo, com informações do site InfoMoney, apresentamos a agenda da semana:
SEGUNDA-FEIRA - 01/09
08:00: Índice de Preços ao Consumidor Semanal - IPC-S (quadrissemanal): mede a variação de preços de uma cesta de itens para famílias com renda mensal de 1 (R$ 415,00) a 33 salários mínimos (R$ 13.695,00) em sete grandes capitais nacionais (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Brasília). Considera o período de trinta dias encerrado na semana anterior à sua divulgação.
08:30: Relatório Focus: relatório divulgado pelo Banco Central que compila as perspectivas de consultorias e instituições financeiras quanto a inúmeros indicadores da economia nacional. Como nas outras semanas, poderá ser conferido em primeira mão aqui mesmo no blog da ESAG TRADER.
11:00: Balança Comercial (semanal): diferença entre o volume de exportações e importações no Brasil.
Pesquisa Nacional da Cesta Básica (Agosto/08): pesquisa mensal realizada pelo Dieese que busca mensurar o custo de uma cesta básica para as famílias de 16 capitais nacionais.
EUA: Feriado do Dia do Trabalho.
TERÇA-FEIRA - 02/09
09:30: Pesquisa Industrial Nacional (Julho/08): pesquisa que tem como objetivo acompanhar o crescimento da indústria nacional.
11:00: ISM Index (Agosto/08): mensuração do nível da atividade industrial norte-americana.
11:00: Construction Spending (Julho/08): indicador que apresenta os gastos com construção de imóveis nos EUA. Pode ser um bom parâmetro para avaliação da situação do setor imobiliário norte-americano.
QUARTA-FEIRA - 03/09
07:00: Índice de Preços ao Consumidor - IPC (Agosto/08): índice que indica a inflação para o consumidor da cidade de São Paulo que possui renda de 1 (R$ 415,00) a 20 salários mínimos (R$ 8.300,00).
09:15: ADP Employment (Agosto/08): mensuração dos novos postos de empregos criados nos EUA durante o período de referência. Possui relação tanto com o mercado de trabalho, quanto com o próprio crescimento da economia norte-americana.
11:00: Factory Orders (Julho/08): pedidos à indústria norte-americana de bens duráveis e não-duráveis. Importante indicador para perspectiva do investidor quanto aos atuais patamares da economia dos EUA.
15:00: Livro Bege do FED (Agosto/08): compilação de inúmeros dados referentes à economia dos EUA no mês de referência.
QUINTA-FEIRA - 04/09
09:30: Pesquisa Industrial Regional (Julho/08): evolução do produto na indústria nacional com base em regiões e estados do país.
09:30: Initial Claims (semanal): número de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA.
09:30: Productivity & Costs (2° Trimestre/08): mede a produtividade da mão-de-obra da economia norte-americana, excluindo o setor agropecuário.
11:00: ISM Services (Julho/08): mensuração do nível de atividade não-industrial norte-americana.
11:30: Estoques de Petróleo Norte-Americano (semanal): reflete o consumo de petróleo em território norte-americano.
Europa: Taxa de Juro Básico: ocorrerão as reuniões de política monetária do Banco Central Europeu e do Banco da Inglaterra com discussões sobre possíveis alterações nas taxas básica de juros da região.
SEXTA-FEIRA - 05/09
09:00: Índice de Preços ao Consumidor Amplo - IPCA e Índice Nacional de Preços ao Consumidor - INPC (Agosto/08): o IPCA é considerado o índice oficial de inflação, uma vez que seu comportamento reflete diretamente nas decisões de política monetária nacional. Mede a inflação para famílias com rendimentos mensais de 1 (R$ 415,00) a 40 salários-mínimos (R$ 16.600,00). Já o INPC mensura as alterações nos preços para famílias com rendas mensais de 1 (R$ 415,00) a 6 (R$ 2.490,00) salários-mínimos.
09:30: Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Agosto/08): levantamento dos preços e custos de materiais utilizados no setor de construção civil.
09:30: Relatório de Emprego dos EUA (Agosto/08): apresentação de alguns indicadores do mercado de trabalho norte-americano, como taxa de desemprego, número de postos de trabalho, ganho por hora trabalhada e média de horas trabalhadas.
Felipe Seitz Bento
Fontes: InfoMoney e Portal de Notícias G1
domingo, 31 de agosto de 2008
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